GALINHOS CELEBRA, GUAMARÉ LAMENTA: DOIS MUNICÍPIOS, DUAS VISÕES DE GESTÃO

Enquanto Galinhos encerrou o ano como referência regional em planejamento, turismo e fomento à economia, Guamaré protagonizou um cenário marcado por frustração, constrangimento e sensação de oportunidade desperdiçada. O contraste entre os dois municípios vizinhos escancara não apenas diferenças na programação de fim de ano, mas, sobretudo, visões administrativas completamente distintas sobre o papel do poder público.

Em Galinhos, a Prefeitura Municipal anunciou que o evento alusivo às comemorações de fim de ano reuniu cerca de 25 mil pessoas e injetou aproximadamente R$ 2,5 milhões na economia local. Restaurantes lotados, pousadas com alta taxa de ocupação, comércio aquecido e intensa circulação de visitantes transformaram o município em um verdadeiro polo de celebração, turismo e geração de renda.

O resultado foi fruto de planejamento antecipado, divulgação eficiente e compreensão clara de que eventos bem estruturados são investimento, não despesa. Já em Guamaré, o cenário foi diametralmente oposto. As imagens registradas na Rua da Praia durante a virada do ano foram descritas por moradores como desoladoras.

Atrações musicais consideradas fracas, público reduzido e clima de improviso expuseram, mais uma vez, a ausência de planejamento estratégico e a falta de visão turística por parte do Executivo municipal.

Um ponto recorrente e amplamente criticado pela população é que, em Guamaré, eventos são organizados sempre “no apagar das luzes”, sem planejamento prévio, sem diálogo com o setor produtivo e com programações divulgadas de forma tardia, quando divulgadas. Essa prática inviabiliza a mobilização do comércio, afasta turistas, desestimula empreendedores e compromete qualquer tentativa de fortalecimento da economia local.

O paradoxo ficou ainda mais evidente no dia seguinte à virada. Um público numeroso, surpreendente e fora do comum tomou conta da cidade, revelando de forma inequívoca que existe demanda, interesse e vocação turística. Faltou, porém, gestão, visão e percepção para transformar esse potencial em uma política pública organizada, planejada e contínua.

A comparação com Galinhos torna a situação ainda mais incômoda. Guamaré possui belezas naturais ainda mais exuberantes e conta com recursos financeiros significativamente superiores. Mesmo assim, não consegue converter essas vantagens em eventos atrativos, fortalecimento do turismo ou valorização do sentimento de pertencimento da população.

O episódio deixa uma lição clara: não é o volume de arrecadação que define o sucesso de uma gestão, mas a capacidade de planejar, antecipar cenários, ouvir a população e compreender que cultura, turismo e lazer são pilares estratégicos do desenvolvimento econômico e social.

Em Guamaré, o que se viu foi o retrato de uma cidade rica em natureza e recursos, mas pobre em planejamento, organização e sensibilidade administrativa. Para muitos guamareense, fica a sensação amarga de um fim de ano perdido — e a esperança de que, no futuro, planejamento, visão e percepção deixem de ser apenas discursos e passem, de fato, a orientar as decisões do poder público.

Blog Águas de Maré

Arquivo